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Como as novas tecnologias impactam a construção civil



Sempre que se fala em tecnologia a primeira imagem que vem à nossa frente é a de um exército de robôs invadindo os espaços de trabalho. Talvez você possa pensar que a tecnologia vai substituir os operários no canteiro de obras, mas o que vai acontecer mesmo com o impacto das inovações é a exigência de maior qualificação da mão de obra. Operários e engenheiros provavelmente vão compartilhar algumas tarefas com robôs, exoesqueletos e tudo o mais que ainda pode nos surpreender.


Um pouco além dos estereótipos temos a vida real acontecendo na construção civil, impactada por novos e avançados recursos do mundo tech. Eles se inserem nessa complexa engrenagem que move uma obra, onde diferentes setores contribuem para o produto final. A construção civil se envolve com indústrias e materiais que também estão evoluindo rapidamente e a inovação abrange desde o concreto, cerâmica, vidros, metalurgia, aço, plástico, até os equipamentos e energia elétrica só para falar do básico.


Ao mesmo tempo, a gestão da obra e os processos construtivos evoluem à medida que novas tecnologias permitem aumentar os controles de qualidade, custos, segurança, treinamento e comunicação. Nesse aspecto o impacto da transformação digital já apresenta avanços consideráveis.


Temos o impacto de novos recursos de tecnologia que são mais simples e acessíveis, como Drones, Realidade Aumentada e Realidade Virtual e outros mais complexos que se destinam às obras de maior porte e exigem investimentos consideráveis. Todos são parte de um movimento evolutivo que se mostra cada dia mais acelerado e em um curto espaço de tempo pode alterar e muito a construção civil.


Os engenheiros estão acompanhando? A mão de obra está preparada? A indústria da construção civil como um todo já está assimilando tantas inovações? Acredito que em nosso setor acontece o mesmo que se observa nos demais. Alguns negócios sofreram e sofrem as consequências disruptivas de tecnologias e negócios inovadores. Muitas empresas ainda estão correndo para sobreviver e se adaptar aos impactos de ícones do nova economia como a Amazon, AirBnb, Uber, Netflix e tantos outros que já fazem parte do nosso cotidiano.

Ao mesmo tempo outros negócios menos impactados absorvem o novo com mais lentidão. Até porque os investimentos são pesados para a aquisição das tecnologias de ponta, formação dos times e inserção nos projetos. É o que acontece em quase todos os campos da construção civil.


Algumas tecnologias mais acessíveis que trazem inovação e modernidade são incorporadas aos empreendimentos, mas os processos construtivos ainda permanecem atrelados aos modelos tradicionais. Até porque eles já foram testados, existe uma experiência extremamente valorizada e esses dois aspectos são essenciais para manter a qualidade e segurança da obra e do produto final. Ainda assim é importante observar o que já pode ser incorporado aos processos e o que vem pela frente acrescentando melhorias significativas para todos.


O McKinsey Global Institute cita a relutância da construção em adotar novas tecnologias como uma das principais questões que o setor deve abordar se quiser melhorar sua produtividade em relação aos outros setores. Em seu relatório de 2017 McKinsey diz que a construção enfrentou uma lacuna de 1,8% no crescimento da produtividade em comparação com o restante da economia global e uma lacuna de 2,6% no crescimento da produtividade em comparação à manufatura. Fechar essa lacuna de produtividade é uma oportunidade que vale mais de US$ 1 trilhão.


“O pessoal de campo na construção é desafiado pelo avanço tecnológico.” Kimlee Lindgren, M.S., CHST, instrutora líder do Centro de Educação da OSHA

Apesar da lentidão em adotar as novas tecnologias, seu impacto na construção civil já pode ser observado no mundo todo. Além da robótica, muitas empresas de construção também estão começando a utilizar drones aéreos e software de inteligência artificial nos canteiros de obras, como uma maneira de melhorar as análises e a eficiência operacional. A evolução também se revela em inovações como a Internet of Things e em muitos outros recursos já disponíveis no mercado. Vejamos o que já está em uso com resultados muito positivos:


  • Drones

A Robotics Business Review afirma que os usos mais importantes dos drones na construção civil são: captura de imagens aérea e inspeções de infraestrutura e de canteiros de obras. A previsão é que o uso de drones na construção civil vai aumentar, especialmente quando inspetores, construtores, corretores de imóveis e seguradoras aplicarem novas técnicas para coletar e entender dados como Realidade Aumentada e Realidade Virtual.


  • Robótica

No relatório “Construction & Demolition Roboticsa empresa de pesquisa Tractica projetou um mercado com receita de US $ 226 milhões até 2025 para o uso de robótica de construção. Além disso, mais de 7.000 robôs de construção serão implantados para lidar com tarefas de construção e demolição. A maior área de remessas unitárias será para assistentes robóticos usados ​​em canteiros de obras, seguidos por robôs de infraestrutura, robôs de estrutura e robôs de acabamento. As principais categorias disponíveis atualmente incluem robôs para demolição, alvenaria, perfuração, impressão 3D e amarração de vergalhões, além de alguns exoesqueletos e robôs assistentes para elevar cargas.


  • Inteligência Artificial

Na construção as empresas estão apenas começando a tirar proveito da IA ​​para segurança, design, planejamento, documentação de gerenciamento de projetos e muito mais. Várias empresas estão testando as maneiras pelas quais a IA pode elevar seus programas de segurança. A Skanska, organização de construção da Suécia, está usando o software de IA Smartvid capaz de detectar diferentes objetos usando uma câmera de smartphone montada em um graveto ou capacete. O Smartvid permitiu que os profissionais de segurança identificassem rapidamente grades de proteção ausentes, trabalhadores sem equipamento de proteção individual (EPI), exposições a quedas e outros perigos.


  • Internet of Things - IoT

Com a IoT a conexão entre profissionais e gestores se amplia, sincronizando entre si pessoas, equipamentos e materiais. A tecnologia vestível com os recursos da IoT oferece vários benefícios ao projeto, às empresas e principalmente a todos os funcionários. O uso dessa tecnologia se expande com o desenvolvimento de sensores vestíveis, equipados com GPS e acoplados a uniformes, relógios, calçados e capacetes que permitem indicar por exemplo sintomas de fadiga, temperatura corporal, emitir sinais de alerta em caso de riscos e impactos e ainda fornecem a localização exata do usuário. Entre os benefícios já confirmados podemos citar: maior segurança do trabalhador, relatórios em tempo real, fluxos de trabalho automatizados e maior vida útil da construção.


Enfim, todos esses recursos já estão disponíveis no mercado local e internacional, com uma previsível promessa de evolução para o uso mais acentuado na construção civil. Espera-se também que a união dessas tecnologias resulte em inovações ainda mais disruptivas, ampliando tanto o uso como os benefícios. Sim, sabemos que o setor absorve mais lentamente as tecnologias, mas como em todos os mercados, quem chegar antes colherá os melhores resultados.


Luiz Augusto Franzolin

CEO Franzolin Engenharia