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O futuro da moradia

Quando eu era criança o futuro parecia um filme de ficção científica, nada palpável aos olhos inocentes da infância. Eu só podia viajar com a imaginação na nave espacial da “Odisséia no Espaço”, ou na máquina do tempo que transportou os personagens do inesquecível “De Volta para o Futuro”. Hoje, quem quiser observar as tendências pode viajar até a China ou aos Estados Unidos, onde muitas das tecnologias que moldarão o futuro já estão disponíveis ou em nível avançado de desenvolvimento.


O que isso tem a ver com o futuro da moradia e seus impactos para os empreendimentos que estamos projetando hoje? Tudo. As novas tecnologias influenciam profundamente o estilo de vida das pessoas e alteram comportamentos em todos os campos. Como resultado desse novo contexto de mudanças contínuas e aceleradas as novas gerações chegam com outras expectativas sobre suas moradias.


Simultaneamente a esse impacto comportamental, a tecnologia em si e todas as facilidades que ela oferece precisam ser disponibilizadas aos moradores do futuro. Num tempo distante? Não, hoje mesmo, porque o futuro deixou de ser ficção e está sendo incorporado ao cotidiano de todos. O tempo de adoção das novas tecnologias está sendo rapidamente reduzido e em grande parte só depende da disponibilidade de investimento dos usuários e das condições econômicas do país em que vivem. Mas elas já se mostram visíveis, possíveis e profundamente transformadoras.


Você olha para o céu e ainda não vê os drones. Mas em breve o seu pedido de comida será entregue por um deles. Onde eles vão estacionar nos edifícios? E por falar em estacionar, tudo indica que os carros elétricos serão amplamente adotados e em 2030 devem representar 5% da frota brasileira, ou seja, 2 milhões de carros segundo previsão do Boston Consulting Group (BCG). Você gostaria de ter um ponto de recarga na sua garagem?


Vamos viver em locais inteligentes

Já existem fechaduras com tecnologia biométrica para abrir portas com reconhecimento facial. Do lado de dentro você encontrará muito mais e em alguns aspectos as mudanças vão muito além dos filmes de ficção. A futurista Amy Web, em sua palestra no SXSW comentou as tendências apontadas no Report Tech Trends 2019.

Ela afirma que sua casa é mais inteligente do que você pensa e você já está sendo monitorado, ou será. Sua Smartv assiste você? Seu Smartphone ouve suas conversas? Parece assustador mas é possível. Bem vindo ao futuro sem privacidade, mas amplamente facilitado pela conexão das novas tecnologias. Elas podem se juntar em áreas como:

  • Interfaces de Voz

  • Automação Residencial

  • Redes privadas 5G

  • Fechaduras inteligentes

  • Internet das coisas

  • Eletrodomésticos com Assistentes Digitais e

  • Eletrodomésticos Inteligentes.


Se você já conversa com a Alexa no seu celular, comece a pensar como seria utilizar comandos de voz para falar com os seus eletrodomésticos. Nos Estados Unidos a Amazon já lançou a nova versão do microondas equipado com Alexa e seu mais recente sucesso é o Echo Dot, um smart speaker controlado por voz. Agora você pode tanto ligar para amigos e familiares como controlar dispositivos compatíveis de casa inteligente com sua voz, ou dizer: “Alexa, toca MPB”.


Essa é uma tendência irreversível e todos os gigantes da tecnologia, como Apple, Google, Samsung e Xiaomi também estão investindo em dispositivos domésticos com assistentes digitais. O que vem por aí ainda vai surpreender muito mais.


No site da Amazon os americanos já podem comprar uma smart home totalmente automatizada que funciona com o Amazon Alexa. O gigante da tecnologia se juntou com a Lennar, a maior empresa construtora de casas dos Estados Unidos, para viabilizar a oferta e instalação dos dispositivos.


“O nome do jogo não é prever o futuro. É fazer conexões para que você possa ver o futuro plausível com mais clareza." Amy Web, fundadora e CEO do Future Today Institute

Quando as inovações se conectam para criar novos cenários podemos perceber que nossas vidas dentro e fora da casa nunca mais serão as mesmas. Cada vez mais a vida acontece atrás das telas, mas o excesso de exposição ao ambiente digital já se mostra evidente e as pessoas passaram a sentir falta das conexões reais. Tendência apontada pelo Trendwatching.com e que já abordei em um artigo anterior que você pode ler aqui.


Esse movimento impacta os novos empreendimentos e os projetos passam a contar com espaços amplos e integrados, potencializando o uso das áreas comuns e privativas. A integração promove conectividade e amplia os ambientes que passam a oferecer uma experiência de uso mais dinâmica e significativa para os moradores.


A crescente tendência de compartilhamento, associada à oferta de novas tecnologias resulta em novos modelos de trabalho como o Homework e Coworking, outra tendência forte que vem impactando os empreendimentos imobiliários. Se mais pessoas vão trabalhar em casa é natural que os projetos incluam espaços compartilhados para as atividades profissionais dos moradores.


Por falar em novos comportamentos, no futuro os moradores terão um perfil bem diferente dos atuais. As novas gerações chegam com outras formas de união familiar em configurações dinâmicas e plurais. Isso resulta em perspectivas de uso dos ambientes também serão muito diferentes do que temos hoje. A flexibilidade é uma questão importante para as gerações millennials e Z e elas valorizam lugares onde possam se expressar em sua verdadeira essência, mais do que status e propriedade.


Como construtores e incorporadores dos empreendimentos o mais fácil é acompanhar o impacto das novas tecnologias para incorporar o que for viável, sem impactar o valor final dos imóveis. Ainda assim, estamos sempre correndo atrás das tendências que amanhã já se mostram superadas pelas inovações que surgem.


O desafio maior está em acompanhar as aspirações e comportamentos das pessoas. Tudo o que importa é que elas vivam bem nos ambientes e para isso dependemos de um radar em constante alerta para o estilo de vida e as aspirações de quem vai viver nos lugares que projetamos e construímos. Razão pela qual existimos.


Quer saber mais sobre esse tema? Leia meus artigos no blog da Franzolin Engenharia.


Luiz Augusto Braga Franzolin, CEO da Franzolin Engenharia